À sombra do pecado : A música do Universo

À sombra do pecado


"Quem pode dizer o que é pecado aos olhos de Deus?" 
(Pearl, personagem/narrador do filme/livro a Letra escarlate, com Demi Moore e Gary Oldman). 

A Letra Escarlate é um importante romance histórico ambientado na cidade de Boston, na América do sec.XVII. 
Hester, jovem, bela e corajosa mulher, recentemente chegada ao Novo Mundo, a América, de forte personalidade, bem articulada e pensamento avançado demais para o seu tempo, concebe um filho fora do casamento. 

Recusando-se a dar o nome do amante, no caso o reverendo, que seria condenado caso revelado, Hester é espezinhada e banida da sociedade, obrigada ainda a usar a letra A, de adultera, bordada em vermelho. O marido, desaparecido na viagem, reaparece e assiste incógnito, o momento em que a esposa é envergonhada publicamente, desonra que atinge seu nome e orgulho de marido, homem, traído. Isto obriga-o a adotar novo nome, enquanto às escondidas, e, por sua vez, humilha também a esposa, obrigando-a a permanecer em silêncio. Com seu status de médico e portanto bem posicionado na sociedade da época, aproveita-se para se juntar às autoridades e assim manipular, covardemente, a punição à esposa e à criança, e ainda espioná-la para descobrir o infeliz amante.

A história aborda uma velha e vergonhosa discussão ainda notória nos nossos dias: falso moralismo, intolerância e condenação pública. O personagem central é uma questionadora do puritanismo ignorante e religioso, temeroso da ira de deus. Hester, em nenhum momento de acovarda, nem baixa a cabeça. Quando confrontada e pressionada a confessar seu 'pecado', enfrenta seu inquiridor, respondendo que não cometeu pecado algum, quem o cometia, naquele momento, era quem a condenava.

A obra traz também uma temática psicológico filosófica complexa que incomoda a humanidade, frustrada por sua incapacidade em corresponder ao ideal de pureza e fidelidade, que a religião impõe e cobra, em nome de deus. Vindo daí o desespero cruel em apontar o dedo aos 'pecados' alheios, oferecendo em sacrifício as ovelhas desgarradas, consideradas perdidas e impuras, crentes que, desta forma, acalmariam a fúria do deus, trazendo a bem aventurança ao rebanho de almas que, aos olhos do mundo, seguem as regras do comportamento esperado dos tementes ao senhor, mas, na intimidade, permanecem às sombras do pecado. 

Obras como esta nos lembram os heróis, que muitas vezes precisam sacrificar-se para levar a humanidade à reflexão, à mudança, à evolução, ao progresso. 

O livro de Nathaniel Hawthorne, publicado em 1850, ganhou várias adaptações nos palcos, TV e cinema. Foi, logo de caras, um sucesso instantâneo de vendas, que suscitou a ira de religiosos. O feminismo mostrava já sua face, e o tema do livro, muito em voga na época, era abordado em outras obras contemporâneas, como gritos à liberdade afetiva: Dom Casmurro, de Machado de Assis, Madame Bovary, de Flaubert, Anna Karenina, de Liev Tolstói e óperas como Tristão e Isolda, de Wagner. 

 O livro de Nathaniel Hawthorne 
 O filme é estrelado por Demi Moore e Gary Oldman

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