A aventura da criação - Seriam os deuses aventureiros? : A música do Universo

A aventura da criação - Seriam os deuses aventureiros?

"No princípio era o Verbo, e Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez." (Jo 1.1-3)
"Se nós já passamos por crises existenciais frente à nossa insignificância em meio à imensidão do universo, imaginem o que uma ameba não sentiria?" (...?...)

anjo1Imaginem, sem gerar mais dúvidas, sem usar a lógica, apenas abram a mente e imaginem o paraíso. Aquele mesmo que ouvimos falar desde crianças: seres alados, esvoaçantes, morando em estrelas, circulando por mundos por eles criados.

Pássaros azuis, música dos deuses, jardins idílicos, ou praias, anjos de túnica ou somente asas... O paraíso é uma criação bem pessoal. O ponto é que seja como for esse céu que intriga o inconsciente coletivo, em um ponto estamos de acordo: é um lugar calmo, tranqüilo, um sossego eterno - a santa paz. Imaginem agora viver nesse mundo anos e anos, décadas e décadas. Some anos-luz à conta. E então estenda a  mente, imagine seguir pela eternidade em absoluta perfeição e... tédio?

Tenho para mim que os habitantes lá de cima, entraram um dia em parafuso, fizeram uma revolução, botaram fogo nos céus. Não me sai da idéia que em algum momento da vida astral, certos seres celestiais, chamemos de anjos, deuses, o que for, começaram a viver o suplício do tédio, as angústias de uma existência sem louvores. E foi então que um grupo destes seres perfeitos, passaram a sonhar (Pasmem!), com um mundo imperfeito, cheio de emoções. Claro que isso só aumentou as inquietações. Tentem pensar em deuses e anjos estressados, sem terem como descarregar suas ansiedades, simplesmente porque não tinham como. Sim, porque deus e anjo nada entende de blasfemar, ofender ou estapear, isso é coisa do bicho homem. No céu a filosofia é hippie: paz e amor meu irmão. Falta-lhes sangue e veias. Mas voltando ao bafafá celestial... A melancolia se espalhou e logo o desespero tomou conta. Espera aí! Deus e anjo.... desesperados? Aquilo era tudo muito novo. Nos céus foi puro agito.

E lá foram os anciãos do lugar pensar num meio de dar uma lição em anjos e deuses mimados. Conversa e reunião vai e vem e eis que decidem criar novos mundos. Foi preciso pensar com cuidado, o projeto tinha que agradar os dois lados. Para uns tratava-se de ensinar aquelas angustiadas almas planetárias a valorizarem de novo o lar, já para os rebeldes, era uma questão de explorar novas emoções, porque aquilo não era vida, era morte (assim nasceu a ironia). Foi um trabalho de equipe, conhecimento de todas as ciências. Células... Átomos... Energia... A criação de microorganismos, universos em miniatura, planetas e criaturas, replicantes pulsando de vida. Mas... Nada demais! Em se tratando de deuses, é só pormenor. E eis que é criada a terra e outros lugares.

anjos2É quando acontece a queda dos anjos. Não foi num piscar de olhos. Improvisaram-se mundos intermediários, laboratórios de preparo, triagem de candidatos, quem ia para onde... Ora pois! Porque essa história de mudar de deuses e anjos para umas coisas brutinhas e estúpidas, não tinha como ser fácil. Um trabalhinho daqueles para os psicólogos astrais, deuses e anjos bons de papo... Tudo com muito amor, compaixão e paciência de santo, porque não foi todo deus e anjo que aceitou, numa boa, cair num mundo estranho em forma de ameba ou besta e ainda por cima desmemoriado. Um tapado!

Apagar memórias era imprescindível, porque a idéia dos mestres galácticos era que os rebeldes precisavam começar do zero, passar por milhões de dificuldades, como a evolução das espécies, com todo o potencial embutido no núcleo do DNA. Algo assim como anjos e deuses, só que às avessas e o fim da evolução, o topo da pirâmide, seria o retorno à condição angelical. O prêmio? A volta ao lar, com status de filho pródigo.

Mas, e como sempre tem um mas, mesmo em se tratando de anjos, tinha só mais uma coisinha, que levou os rebeldes alados a gritar e espernear, como comuns mortais. Ah, depois dessa, só podemos achar que eles mereceram o destino. Alguns se encolheram medrosos, escolheram a segurança das asas. Mas teve também sacrifícios, porque não se podia só enviar anjos tresloucados, doidos por uma farra, era preciso ter líderes para puxar umas orelhas, garantir a dualidade. Já para os teimosos, não teve jeito. Os guardiães do Universo foram irredutíveis, não podiam arriscar a segurança do lar e da família astral.

É preciso entender, de uma vez, que os habitantes do Universo (preciso lembrar que nós também aqui vivemos?) formam uma grande consciência cósmica, uma força poderosa que sustenta toda essa fabulosa estrutura, que nós na terra chamamos de Deus. Somos, nós mesmos, criador e criatura, a divina trindade, pai, filho e espírito santo. Foi pelo menos assim que eu entendi as palavras de Jesus, o mestre.

Mas então os idealizadores do projeto, detentores de toda a sabedoria, (claro, por essa razão são deuses), sabiam que muitos se perderiam na nova vida. Cá para nós, não precisa ser deus nem gênio, psicólogo ou adivinho e muito menos um programador nerd para chegar a brilhante teoria. Enfim, o que quero dizer é que estava previsto no grande projeto que as almas viveriam em eterna tentativa de erros e acertos, um loop constante, entre muitas idas e vindas da terra aos mundos intermediários, os tais laboratórios, e vice versa até que um ser mais sensível questionasse "To be or not to be?", achando assim a charada de um dos muitos caminhos para casa. Já aqueles cuja bússola funcionasse mais fácil, ou, em linguagem angélica, que reencontrassem a sua pureza, seriam os escolhidos que ganhariam de volta o lar (esta é para aqueles que fingem que são santos e vivem apontando o dedo ao outro). Desta forma dá até para entender e justificar certos carmas ou vícios nossos, que parecem ter vindo já incrustados, como a mania da competição e a eterna insatisfação.

E eis-nos aqui, uma ironia cósmica encenando a tragicomédia da vida. Seres angustiados, tremendo com a
 idéia da morte, suplicando aos céus por paz e boa vontade, sonhando com paraísos idílicos, buscando um mundo perdido em nossa mente. Certo é que os deuses, velhos companheiros nossos, nunca nos abandonaram, permaneceram zelosos, sofrendo com nossos dilemas, mas certamente se congratulando e rindo, muito, de sua divina obra. Quem disse que Deus não tem humor e vaidades?

E como são seres perfeitos e amorosos, com infinita compaixão, por vezes até mesmo eles acham que exageraram na dose, descem então à terra, assobiam nos ouvidos adormecidos dos humanos, mais espertos, certas pérolas "Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o Universo e os deuses". Dá para sacar que aquela turminha lá da Grécia antiga era mui esperta. Criou uns deuses poderosos e loucos, feitos à nossa imagem e semelhança. Que temos potencial de deuses não há dúvidas (pelo menos para mim) agora loucos é só observar o mundo.

Para aqueles que suspeitam que o céu é uma grande pasmaceira, que até mesmo os anjos se entediam e anseiam por excitação, creio realmente estarem próximos da verdade. Eles caem na terra, tornam-se humanos e pecadores, porque os prazeres da vida são uma perdição. E quando tal acontece, é preciso reencontrar o equilíbrio. E por isso existe essa consciência e uma sutil evidência de ordem no caos.

Enquanto uns se perdem, outros se reencontram e assim se mantém o trem nos trilhos. Quando, de tempos em tempos, a balança pende para o lado mais frágil, permanece desequilibrada por longos períodos, acontecem as catástrofes, é quando o "mal" quase vence, e como este é bruto, estúpido e cego, ele não percebe que se auto destrói, é preciso então voltar ao eixo, trazer a ordem, equilibrar a balança. Eu desconfio que nessas horas deuses e anjos intervêm aflitos e tratam de enviar, direto do paraíso, um messias, um iluminado das alturas.

Por mais que eu reflita, concluo sempre que somos a diversão dos céus, quiçá o outro lado do espelho. Uma coisa é certa, qualquer teoria que se pegue sobre a origem do mundo, e portanto a nossa, nos parecerá louca e cômica! Eu fico com esta, porque além de deuses e anjos parecerem mais próximos, gosto de pensar que nós mesmos já tivemos asas, que podemos ser almas planetárias, e que posso ter dentro de mim alguma centelha divina, aquelas mesmas que perambulam pelo céu e nos norteiam. Em algum espaço obscuro de nossa mente está guardada a lembrança de vôos nas alturas, melhor, no infinito do céu. Que maravilha!

E divagando um pouco mais nessa brincadeira esotérica, dá para concluir que a evolução é afinal um ciclo, o que eu gostaria de saber para completar a minha teoria, é quando a brincadeira começou, quando foi que deuses e anjos decidiram virar... aventureiros!

Imagens dos blogs:
july silver - em busca de um mundo melhor
- Cia de Jesus Cristo
- Anjos do céu
- Site Luz de Gaia
- Site Bom espírito.com

"A criação de Adão" - afresco de 280 cm x 570 cm, pintado por Michelangelo Buonarroti por volta de 1511, que figura no teto da Capela Sistina. A cena representa um episódio do Livro do Gênesis no qual Deus cria o primeiro homem: Adão.






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