Razão X Emoção : A música do Universo

Razão X Emoção

Vivemos nos deparando com histórias de pessoas que parecem sofrer de um tipo de cegueira mental. Explico: testemunhando no momento um episódio que tem tudo para acabar mal, vi-me refletindo sobre o assunto. O que torna uma pessoa cega a fatos óbvios que irão colocá-la em situação periclitante e pior, podendo arrastar consigo a família para o buraco?

Por esses dias escutei na CBN sobre o caso de uma vítima do bilhete sorteado. “Mais uma”, pensei. Quando escutamos este tipo de notícia, tendemos a comentar como pessoas inteligentes continuam caindo em velhos golpes, tão difundidos pela mídia, o famoso conto do vigário. Estranhamente nesse grupinho de otários, há gente tarimbada, pessoas bem espertalhonas, cheias de negociatas, com aquele olho vivo, alerta para tudo. Eu mesma conheci duas vítimas desse velho golpe.

Como tudo o que acontece na vida, é necessária uma combinação de fatores, acontecimentos ou circunstâncias para ocasionar uma ocorrência, seja ela feliz ou infeliz. O seu resultado é decidido e antecipado pelo entrecruzamento dinâmico e essencial das circunstâncias e constâncias de sentimentos, valores e intenções dos preconizadores das histórias.

Estados de espírito comuns empurram as pessoas para acontecimentos felizes ou infelizes. E é destes últimos que falo. A pessoa vive um estado de ansiedade, um desejo exacerbado, uma obsessão enfim que a torna vulnerável. Sabe aquela amiga desesperada para casar que sempre cai nas malhas do mesmo tipo de oportunista? Todos os indícios de que o cara é um malandro estão ali diante dos olhos, os mesmos sinais de sempre e ela simplesmente não enxerga.

Aquele cunhado, primo, tio, a ovelha desregrada, o encrenqueiro da família enfim, aparece diante de todos, a voz entrecortada, dizendo ser aquela a oportunidade da sua vida, a que ele aguarda há tanto tempo. Todos vêem que o tal negócio da vida dele é um tremendo fiasco, começando pelo tal amigo, surgido do nada, com panca de empresário de araque, que o convidou para sócio.

A mulher que leva um dia um empurrão do namorado, no outro um tapa e sempre se rende às desculpas esfarrapadas do indivíduo. Ou “tava nervoso”... ou ficou “com ciúme”... ou porque achou que ela “tava dando em cima” do amigo... Ela casa com o fulano e nos dez anos seguintes é um entra e sai do hospital. A mãe avisou, a irmã chamou atenção para um monte de esquisitices do rapaz, finalmente o pai perguntou bem na entrada da igreja, se ela tinha certeza. Ela deu risada, abraçou o coroa chamou ele de “bobinho” e poucos anos depois ali está, amarrada a uma relação doentia, longe da família, desprotegida, impotente, um farrapo humano que nem gente se considera mais, morrendo de medo até da própria sombra.

Todas estas pessoas tiveram uma pré-anunciação dos dramas que preconizaram. Infelizmente o ambiente psicológico interno cria como que uma armadura em volta do cérebro, imbecilizando de tal forma o indivíduo a ponto de torná-lo incapaz de analisar, desprovido do bom senso característico da mente sã.

Eu tive um mau pressentimento, mas...”, quem já não escutou a infeliz expressão? É como se a divina providência zelasse por nós, tentasse nos alertar de várias formas. Mas há uma dinâmica de motivação, a pessoa tem os sentidos voltados para seu objeto cujo desejo cresce a ponto de virar obsessão. Nesta fase, seus ouvidos tornam-se surdos à voz da razão, encoleriza-se com quem tenta abrir-lhe os olhos, frustrando qualquer tentativa de ajuda.

Familiares e amigos acabam angustiados, pois só lhes resta assistir impotentes ao desfecho infeliz da tragédia anunciada. Pior quando estas pessoas, mais do que testemunhas, tornam-se peça importante na história, porque é necessário o apoio financeiro. Pais, filhos, irmãos, avós, tios, amigos do peito vêem-se assim numa camisa de forças, antevendo e vivendo antecipadamente a tristeza, a infelicidade e a culpa que aguarda a todos.

São circunstâncias em que nada se pode fazer. O não pode significar a revolta eterna e o sim a desgraça momentânea, circunstancial. De todo o jeito não há muito o que fazer, não há caminhos alternativos. Apenas um duelo entre razão e emoção. Sim ou não?

4 comentários :

Vanda- Planeta da blogueira disse...

Quero agradecer pelo carinho que teve em visitar e comentar em meu blog, seguirei aqui!
Conte comigo na blogosfera, um grande beijo!!
Vanda Ferreira

Herval Candido disse...

Carla,

Perfeito o link que fizestes entre os pseudo incautos do golpe conhecido por "conto do vigário", que de espertos viram bobos e os incautos da conto do "isso não vai se repetir", que acreditam nos que se fingem de bobos, mas de índole doentia e desfaçatez esperta.

Emoção e razão caminham quase sempre lado a lado. Somos traídos pela emoção, quando a razão se apresenta muitas vezes como única opção a ser seguida. Acreditamos que temos o poder de mudar as coisas e pessoas. As coisas até podemos mudar pela irracionalidade da sua natureza. As pessoas são difíceis de serem mudadas por conta da capacidade de nos fazer acreditar naquilo que queremos crer, apesar das evidências e sinais que o outro nos mostra de que não vai mudar.
Não sei se o final do seu texto, onde diz que não há muito o que fazer é um testemunho inequívoco da razão. Eu sou muito emoção raciocionalizada (!) e acredito sempre num final feliz.

Abraços,

Herval

Fernanda Reali disse...

Adorei o post! Vim lá do Doces Verdades, por conta do teu comentário sobre filmes. Já me instalei aqui no blog, bisbilhotando tudo e gostando cada vez mais. A partir de hoje, seguindo e lendo tudo!

Quando quiser, aceita o convite para vir bisbilhotar os meus:
fernandareali.blogspot.com
artesanatopintart.blogspot.com
bigviciobbb.blogspot.com

Bjs e bom dia!

Alexandre Mauj Imamura Gonzalez disse...

Vim por indicação de uma amiga, Fernanda Reali.
gostei muito do conteúdo de seu blog, vou seguir.

É complicada a dicotomia razão/emoção. Muitas vezes brigam entre si, a razão aponta o caminho certo, a emoção o caminho mais gostoso.

Excelente reflexão

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