Espiritismo: ciência, filosofia, religião e muita história : A música do Universo

Espiritismo: ciência, filosofia, religião e muita história

O iníckardecio do movimento espírita, nos moldes como hoje o conhecemos, tem data e endereço certos. No ano de 1848, dia 31 de Março, precisamente, na cidade de Hydesville, no condado de Wayne, estado de Nova York, EUA, na casa da família FOX, ouviram-se batidas e sons vindos dos móveis e paredes. Logo se espalhou pela vizinhança que acorria para testemunhar o estranho fenômeno. Da mesma forma chegaria à imprensa e logo se difundiria pelo mundo através das "mesas girantes", virando modismo e diversão.

As imagens que vemos nos filmes são bastante fiéis. Um grupo de pessoas sentadas em volta de uma mesa, dando-se as mãos e um mediador entrando em transe e passando mensagens que seriam transmitidas por um espírito. Não faltando os sons de batidas, levitações, materialização de objetos e os gritinhos histéricos das madames.
Charlatanismos à parte, o modismo chegou à Europa e muita gente boa, entre elas intelectuais de renome renderam-se ao oculto. O poeta e romancista francês, por exemplo, Victor Hugo, passaria os dezoito anos de exílio participando de sessões espíritas na Ilha de Jersey. Existe um extenso e curioso material, que fazem as delícias de estudiosos, dando testemunho de tais sessões.
Mas a comunicação com o além remonta a tempos bem mais antigos. Evidências de algum tipo de prática espírita foram encontradas em várias civilizações antigas, assim como referências na bíblia. Obras clássicas, das quais citarei 2 famosas, a Odisséia de Homero e Hamlet de Shakspeare, mencionam conversas com "almas de outro mundo" e aparições de fantasmas. A idéia de uma vida após a morte era confortadora, assim o objetivo de antigamente era o mesmo de hoje: encontrar evidências do fenômeno e ter informações sobre o mundo dos mortos.
Episódios de perseguição não faltam na história do espiritismo. Como era de se esperar, grupos religiosos, tendo a igreja católica na dianteira, sentindo-se ameaçados, espalham boatos arrepiantes, envolvendo o espiritismo e bruxaria. Logo os espíritas passariam a ser estigmatizados pela mídia que a eles se referiam como diabólicos, loucos, charlatães, mentirosos e toda a sorte de nomes e prenomes que os diminuísse e assustasse a população.
Para combater tal movimentação, e esclarecer a população, surgiram revistas espíritas. Publicavam-se casos reais e depoimentos de estudiosos que se dedicavam a investigar o fenômeno por pura curiosidade científica. Tal perseguição durou meio século, e teve seu auge em ato público, na Espanha, em 9 de julho de 1861. Uma enorme encomenda de livros espíritas, que seguiria para outros países da Europa, foi apreendida na alfândega, como se de mercadoria clandestina se tratasse.
Em ato solene acontecido na esplanada da cidade de Barcelona, local de condenação de criminosos, ordenado pelo bispo da cidade e presidido por um clérigo, com seus hábitos sacerdotais, empunhando uma cruz em uma mão e uma tocha na outra, são queimados 300 livros e brochuras sobre espiritismo. A enorme fogueira teve um público inumerável e foi preceituado com a leitura da “ata do auto-de-fé”: 'A Igreja Católica é universal e, sendo estes livros contra a moral e a fé católica, o Governo não podia consentir que eles fossem perverter a moral e a religião de outros países'.
Tal ato despótico, teve no entanto efeito contrário. Daquele momento em diante, espíritas do mundo inteiro passaram a dedicar-se com afinco à doutrina, divulgando com maior dedicação os escritos de Hippolyte Léon Denizar Rivail.
Falar de espiritismo e omitir o nome de Kardec seria o mesmo que falar do catolicismo sem mencionar Jesus. Eminente pedagogo, escritor e estudioso do magnetismo, Hippolyte Léon Denizar Rivail, sentiu sua curiosidade atiçada, ao escutar amigos comentando sobre estranhos fenômenos que movimentavam objetos, mas seu ceticismo logo se sobrepôs quando acrescentaram que os objetos falavam, respondendo a questões inteligentes. Para um estudioso de física, os movimentos dos objetos eram até aceitáveis, pois tinham a ver com o magnetismo, agora respostas intelectuais vindo de coisas inanimadas era totalmente descabido. Levaria ainda uns meses para que seus amigos finalmente o convencessem a presenciar uma sessão, durante a qual o professor verificou que havia algo maior ali envolvido, tornando-se a partir desse dia, assíduo participante das sessões.
Como qualquer pesquisador, o professor Rivail, fazia anotações do que observava, perguntas e respostas das sessões inteiras eram analisadas criteriosamente, percebendo-se a ordem de idéias que levavam a conclusões progressistas. Essa pesquisa foi enriquecida com anotações e depoimentos de sessões no mundo inteiro. Um ano depois, ele recebeu uma comunicação particular. Um espírito apresentou-se como seu companheiro em outra vida, em que ambos tinham sido druidas na antiga Gália, o nome do professor, nessa outra vida teria sido Allan Kardec.
Mais um ano se passaria até que aparecesse, precisamente no dia 18 de Abril de 1857, às 10h da manhã de um sábado, na livraria Dentu, no palácio real, um livro intitulado “O livro dos espíritas” assinado por um desconhecido - Allan Kardec.

Para saber mais sobre espiritismo visite o blog Irmãos de luz
Assista o trailer de Chico Xavier, o filme

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