Símbolos da sabedoria (2) : A música do Universo

Símbolos da sabedoria (2)

Sócrates & Jesus Cristo

"Como tudo seria diferente se vencessem na vida aqueles que venceram na morte..." Cícero
Sócrates foi o corujão da filosofia. Muito à frente do seu tempo, parece ter nascido com toda uma compreensão do mundo e da natureza humana. Com base na premissa "Conhece-te a ti mesmo", fazia a apologia do conhecimento da alma. Saia pelas ruas descalço ensinando os jovens. Esse comportamento irreverente junto com seu desleixo pela aparência, levantou desconfianças e acabou por levá-lo à morte, acusado de corromper a juventude com sua filosofia subversiva.
Cinco séculos antes de Cristo, em uma época e lugar onde se adoravam mil deuses, Sócrates propalava a existência de um único. Para ele, a ordem cósmica é obra de um Espírito inteligente e não do acaso.

Sócrates X Jesus
Estudiosos chamam a atenção para certas similaridades na vida de Sócrates e Jesus. O livro dos espíritas tem um capítulo dedicado a Sócrates (e Platão) cujo título é bem sugestivo “Precursores da doutrina cristã e do espiritismo”.
Sabemos pelos discípulos e seguidores de Jesus e Sócrates, já que os dois nada escreveram, que além de serem ambos de família humilde diziam terem recebido sua missão de Deus. Mentores de multidões foram vítimas da inveja e medo da classe dominante . Apesar de terem tido a oportunidade de salvar a pele, ambos se mantiveram firmes nas pernas e nos ideais.

Virar as costas a tudo e seguir com a vidinha ou simplesmente sumir pelo mundo seria muito fácil. Mas Sócrates e Jesus fazem parte daquele grupo ínfimo de seres especiais que estavam condenados a virar mártires. Logo de caras, para nós comuns mortais com mentes tão ocupadas em insignificâncias, cujo grande ato de coragem, para a maioria, é ir ao médico fazer exame da próstata ou parir os filhos em parto normal sem peridural, só podemos relacioná-los a seres de outro mundo, no caso de Jesus, um Deus. Mas não o serão todos os mártires?

Veneno, chibatadas e crucificação não foram páreo para mentes tão supremas. Jesus e Sócrates viviam para além deles, para o futuro da humanidade. Morrer para mostrar ao mundo que a sua palavra, era o caminho, a verdade e a vida há muito estava determinado e resolvido em suas mentes. A dor física é para nós, ignorantes, que nada, realmente, sabemos, nem mesmo que o matamos. Jesus, ainda mente, corpo e espírito, "pai,
filho e espírito santo" a divina trindade como ele mesmo a todos chamou e ensinou, pregado na cruz olha a pobre humanidade do alto e sofre, profundamente. Sofre e teme pela rudez da nossa alma. No último suspiro, deixa a derradeira mensagem "... perdoa-lhes eles não sabem o que fazem", declarando assim seu amor sublime aos irmãos. O mesmo sentimento leva Sócrates a escolher o veneno.

E aqui permanecemos nós imersos na ignorância, acomodados em uma estupidez e unanimidade de milênios. E da estupidez nos fizemos mestres. Mestres na criação de minorias, para alimentar falsas grandezas, e logo nos tornamos bons também, em apontar alvos para desviar a atenção da própria miséria. O mais antigo e, no entanto, sempre atual método de promoção dos fracos (leia-se covardes): a loira burra, o negro, o gay, o pobre, o coitado, o deficiente, enfim sempre a minoria... E assim como aprendemos a reconhecer grandes almas, também nos especializamos nas artimanhas de destruí-las quando percebemos nossa santa ignorância ameaçada. É novamente a covardia falando mais alto, temente do desconhecido. Ser ou não ser? Diante da dúvida aniquilamos as grandes almas, frágeis diante da multidão. A semente por elas deixada permanece ínfima, raquítica pela falta de alimento, mais desenvolvida em uns poucos mas em todos presente, sobrevivente.
Foi nessa semente que Cristo e Sócrates depositaram sua fé. Foi essa semente coadjuvante na amortização da dor. Como o fazem os bons educadores, que não ficam nas meras e vãs palavras, foi necessário mostrar por atos, que é tudo verdade. Todos podem ter uma alma virtuosa. E porque é importante preservar a alma de maus sentimentos e libertar o corpo dos vícios? A brilhante dialética de Sócrates dá o que pensar: “Se a alma é imortal não é sábio viver em função da eternidade?”
E antes de terminar o texto que já está grande, é preciso ainda lembrar que as grandes almas só são grandes para os outros. Elas mesmas sentem-se pequenas e humildes diante da grandeza do Universo e fraternas para com o outro, a quem amam incondicionalmente como um irmão mais novo que precisa ser orientado e protegido. (Símbolos da sabedoria 1)

1 comentários :

Anônimo disse...

Não sou muito ligado a religião, ou espiritismo. Já fui, hoje não mais. Seu texto levanta a bola, mas não chuta... Vou dar um chute. Jesus não teria sido Sócrates reencarnado?

Gilmar.

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